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Guardiões da Mata Atlântica


Quando se trata da Mata Atlântica, poucos têm o conhecimento de Cilene Maria da Silva, 37 anos; De cabeça, ela diferencia 200 espécies do ecossistema. Cilene é uma mateira, profissional que coleta sementes nas florestas. E faz isso sem nunca ter frequentado bancas universitárias. De onde veio tanto conhecimento?

Para a pergunta, a resposta de Cilene é rápida: "aprendi com os mais velhos e com o tempo – são 16 anos – no meio da mata." A mateira, ligada ao Viveiro Florestal de Suape, percorre dezenas de quilômetros por semana nas matas do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca. Nessa empreita, nunca anda só.

O mateiro entra mata adentro com outros colegas de profissão e com volantes, como são chamados os auxiliares dos mateiros. Entre os mateiros que andam com Cilene está José Laurentino Silva Júnior. Eliane Gomes da Silva aparece na lista de volantes. Moradora do Engenho Arandepe, Ipojuca, ela anda na floresta com uma desenvoltura de poucos.

"Fui vendo e aprendendo os segredos das plantas", disse. O sonho da volante, que já identifica mais de 30 espécies, é ser uma mateira como Cilene. As duas confessam não se ver tralhando em outra função. Estudiosos e projetos de reflorestamento agradecem tais vocações.

"Sem os mateiros, muitas dissertações e teses não sairiam do papel", reforça Severino Ribeiro, do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan). Para sua tese em biologia, Severino teve a colaboração de dois mateiros.

Fonte: Diario de Pernambuco – Blog Meio Ambiente